Brindes personalizados e ESG: um canal a mais para uma estratégia que já existe

A agenda ESG de uma empresa não começa nem termina nos brindes corporativos. Ela vive nos relatórios, nas políticas internas, nas metas de emissão, nas práticas de contratação. Os brindes são um detalhe dentro dessa estrutura. Mas detalhes têm peso quando a coerência é o que está sendo avaliado e na comunicação ESG, coerência é tudo.

Segundo pesquisa da Amcham Brasil, 71% das empresas já implementaram ou iniciaram práticas ESG em 2024. Para boa parte delas, a dificuldade não está em ter a estratégia, mas em comunicá-la de forma consistente em todos os pontos de contato. A Beon ESG e Aberje identificaram que apenas 20% das empresas publicam relatórios de sustentabilidade, o que reforça que a comunicação ESG ainda procura canais. O brinde pode ser um deles. 

Não como protagonista. Como apoio. Um objeto físico, personalizado, que chega às mãos de colaboradores e clientes carrega consigo uma escolha: de material, de fornecedor, de cadeia produtiva. Quando essa escolha é consciente, ela reforça o que a empresa já comunica por outros meios. Quando não é, passa despercebida ou pior, gera um ruído silencioso que contradiz o que está escrito no relatório anual.

Onde o brinde se encaixa na comunicação ESG na prática

Para o RH, o ponto mais evidente é o endomarketing. Kits de integração, presentes de aniversário de empresa, reconhecimentos internos todos esses momentos são oportunidades de reforçar a cultura. Quando os brindes personalizados escolhidos para essas ações têm origem rastreável, usam materiais recicláveis ou apoiam fornecedores locais, o discurso interno de sustentabilidade ganha um exemplo concreto para mostrar.

Para marketing e comunicação, a lógica é de consistência de marca. Ativações, eventos, kits para imprensa ou clientes estratégicos são momentos em que a empresa está, de alguma forma, em exibição. Brindes personalizados alinhados ao posicionamento ESG não precisam gritar sustentabilidade, basta que não contradigam o que a empresa defende. Um produto durável, bem acabado, com cadeia de fornecimento documentada já cumpre esse papel sem precisar de um manifesto na embalagem.

Para a área de Compras, a questão é de governança. Saber de onde vêm os materiais, quais são as condições de produção e se o fornecedor tem certificações ambientais relevantes são critérios que qualquer processo de procurement responsável deveria contemplar e que impactam diretamente os indicadores do pilar ambiental e social.

O ponto não é transformar o brinde em símbolo da estratégia ESG da empresa. É garantir que ele não seja o único ponto onde essa estratégia é ignorada. Numa comunicação que busca coerência em todas as frentes, os brindes personalizados merecem pelo menos uma revisão de critérios e isso costuma ser mais simples do que parece.

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